sábado, 25 de maio de 2013

ORGANIZAR OS ESTUDANTES É URGENTE.


ORGANIZAR OS ESTUDANTES É URGENTE.

A primeira tarefa do estudante ao chegar a uma unidade escolar  é procurar informações  sobre os seus  direitos e  deveres. Via-de-regra, para os agentes obedientes  do governo, os alunos só tem deveres e quando falam em direitos é um direito vigiado, delimitado e controlado. Às vezes até falam em aluno crítico, porém, quando este começa a questionar para além do conteúdo ensinado, passa a ser um incômodo para os professores e gestores, pois para eles, aluno crítico é sinônimo  de  aluno dócil, domado e servil.
Quando os alunos perguntam sobre as notas, sobre o funcionamento da biblioteca, da videoteca, sobre a qualidade da merenda, sobre o preço abusivo da cantina, das salas  entupidas  de alunos ,da sala de internet e como os alunos devem  fazer para usá-la, ele começa a incomodar a ordem estabelecida. É para incomodar mesmo.
Para muitos a base e o método educacional é a educação bancária, como bem definiu  o educador Paulo Freire. Em nosso cotidiano e no ambiente escolar os conceitos filosóficos positivistas de Auguste Comte estão muito  presentes, uma vez que para os detentores do poder, as escolas precisam ter Ordem para se garantir o almejado Progresso. Ora, esse é o miolo ideológico da corrente filosófica positivista que desde a proclamação da república encontra-se no símbolo maior do nosso país, que é a bandeira brasileira.
Para os gestores, os alunos são seres desprovidos de responsabilidades, incompletos, um micro ser  sempre voltados para o futuro e nunca para o presente, portanto, devem estudar e obedecer, mesmo que a obediência seja cega e o conteúdo alienante.  A educação nesse contexto  é uma  necessidade imperiosa, caso "queiram ser  alguém na vida".
Os conflitos que existem nas unidades escolares estão relacionados   a falta de canais de expressão e diálogo dos alunos que tentam de todas as formas se comunicarem com os professores, inspetores e direção, porém, grande parte destes  continuam surdos, cegos e mudos, mesmo ao som de explosivas bombas, rebeldias generalizadas e outras formas de chamar atenção. Os educandos  sinalizam para o diálogo,porém,  o  autoritarismo introjetado em grande parte dos gestores mantenedores da  ordem e da mordaça institucional nada percebem ou fingem  que nada existem, inclusive os avanços democráticos  e os alunos.
O caminho é organizar os Grêmios Livres Estudantis, independente dos professores, diretores e coordenação pedagógica, pois, trata-se de uma lei federal, n°7.398, de 4  de novembro de 1985 que afirma: “fica assegurada a organização dos estudantes como entidades autônomas representativas dos interesses dos estudantes secundaristas”, e  “a escolha dos dirigentes e dos representantes do Grêmio Estudantil serão realizados pelo voto direto e secreto de cada estudante”.
Essa lei foi uma grande conquista dos estudantes que com muita  união e organização foram a ruas, enfrentaram a ditadura militar, foram violentados e  até morrerem em defesa dos direitos civis e democráticos.
Com o golpe da ditadura militar  em 1964, a juventude tomou as ruas, enfrentou a barbárie das  torturas  e não se curvaram diante do sofrimento e mortes provocadas  pelos militares brasileiros.
Em 1968, a rebeldia mundial ecoou mundo a fora, e no Brasil, o fatídico  ato de brutalidade contra a juventude organizada  calou fundo sobre a sociedade brasileira com a  morte do jovem Edson Luis, que foi assassinado no Rio de Janeiro no dia 28 de março desse ano. Mais de cem mil estudantes saíram às ruas, resistindo, repudiando e condenando as prisões, torturas e mortes de trabalhadores e estudantes.
Estudantes exijam seus direitos, mobilizem  suas escolas e bairros, tome partido ao lado  dos fracos e oprimidos, vítimas  do regime  de morte que é o sistema capitalista. Articule seus colegas  nas classes, realizem reuniões dentro da escola para aprovar o estatuto e a data da eleição direta para a direção do Grêmio livre Estudantil.

Ao eleger a diretoria do Grêmio, se recuse a fazer o jogo da direção da escola, com tarefas assistencialistas ou de colaboração com a direção, pois, caso isso ocorra, você ficará atrelado aos interesses do Estado, contra os reais interesses daqueles que os elegeram que são os estudantes.
 Caso tenha dificuldades na implementação  e concretude da organização dos estudantes, procure um professor crítico e coerente que defenda os interesses dos alunos ou procure o Sindicato dos Professores, ou a União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES), para garantir na prática e na luta os direitos dos alunos, que quase nunca são respeitados.
 Não se cale e não se renda, reaja a vá à luta em defesa dos diretos coletivos  dos alunos e da classe que vive do trabalho.
Estudante consciente é estudante que luta pelo direito de todos num combate sem trégua à sociedade capitalista, sinônimo da desigualdade, corrupção, machismo, racismo, homofobia e da exclusão humana aos bens produzidos pela classe trabalhadora.
“Organizar a esperança,
Conduzir a tempestade
Romper os muros da noite,
Criar sem pedir licença
Um muro de liberdade.”
Pedro Tierra - Metal e sonho

Movimento Estudantil Livre  já!

Aldo Santos, ex-vereador em São Bernardo do campo, Coordenador da APEOESP/SBC, Presidente da Associação dos Professores de Filosofia e Filósofos do Estado de São Paulo, Presidente da Associação dos Professores de Filosofia e Filósofos do Brasil, membro do PSOL.

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